917 Diaries

by Fernanda Brandao

Monday

20

January 2014

Entrevista: Gustavo Marx

Written by , Posted in INTERVIEWS

A primeira entrevista a ser publicada esse ano foi feita com o talentoso fotografo de moda Gustavo Marx.

O Gustavo é uma pessoa que se admira pelo trabalho e talento, mas que também consegue cativar as pessoas com a forma que deixa transparecer sua paixão por sua família, profissão e valores.

O resultado da nossa conversa está nessa entrevista, que não poderia ter sido melhor  escolha para ser a primeira do ano a ser publicada no blog.

Gustavo, obrigada por sua atenção mesmo com um schedule tão apertado e por dividir um pouco do seu mundo profissional e nova iorquino com o 917 Diaries!

 

Essa paixão por fotos sempre existiu, veio desde pequeno? Conte um pouco sobre a sua relação com a fotografia.

Sinceramente, não sei. Não me encontrei de cara. Meu pai sempre gostou de fotografia e sempre teve câmeras, então eu ficava brincando com elas. Mas não sei se isso foi exatamente um começo. Sempre gostei de fotografia, mas como qualquer outra pessoa, entende? Quando eu estudava na antiga FUMA [Fundação Mineira de Arte] uma grande amiga me ofereceu um emprego. Ela sabia que eu gostava de fotografia e foi meio sorte que o marido estava montando uma revista de automóveis e precisavam de um fotógrafo. Eles faziam test-drives em automóveis e o primeiro teste que eles fizeram foi com um carro que havia pertencido ao Ayrton Senna. O teste foi feito em BH e eu acabei fazendo as fotos. Eu nem tinha equipamento, ele me cederam tudo. Eu achava que toda foto que fazia ficava horrorosa e eu resolvi estudar. Foi quando, em 95, tranquei a faculdade e vim para os Estados Unidos pela primeira vez. Vim encontrar com um amigo que mora aqui até hoje e fiquei na casa dele um tempo. Comecei a frequentar a SVA [School of Visual Arts] e a fazer cursos que me interessavam, como fotografia de estúdio e de moda. Fiquei um ano em NY e voltei para o Brasil.

Como foi a volta para o Brasil após essa temporada em NY?

Logo que voltei para o Brasil, tive a oportunidade de fotografar uma modelo em BH. Eu estava fazendo uma assistência e, do nada, ela conversou comigo, gostou de mim e ficamos amigos rapidamente. Ela disse que queria que eu fizesse o próximo teste dela. Essa modelo, Adriana Piccinini, investiu uma grana para viajarmos e irmos para uma praia para fotografar por 4 dias. Depois disso acabei fotografando muitas modelos de BH, pois minha amiga me recomendava. Pouco tempo depois fotografei pela primeira vez para uma marca de moda – acho que foi a Eliana Queiroz de BH – e a coisa evoluiu.

Fale um pouco sobre o seu crescimento como fotógrafo após esse trabalho.

Foi meio de uma essência de ficar correndo atrás das coisas que eu gostava e de me apaixonar pelas coisas que eu via de grandes fotógrafos. De pesquisar bastante. Eu via o que os grandes fotógrafos estavam fazendo e eu meio que traduzia isso da forma que eu achava que estava bom, que ficava bacana. E nunca copiando. Sei que é cliché, mas sempre me inspirando nas coisas que eu via e que amava. Mas no começo, quando eu fazia os testes das modelos, as meninas traziam livros e coisas para eu ver. Essa primeira menina que eu fiz, a Adriana Piccinini, trouxe dois livros do Richard Avedon, e disse “eu quero isso aqui” e eu disse; “De jeito nenhum! Isso é Avedon e não tenho a menor chance de fazer isso.” Mas ela disse que queria que eu tentasse fazer algo semelhante. Então esse tentar fazer parecido, mas sem fazer idêntico, provocou uma mudança no meu olhar quando eu fiz esses primeiros testes.

Você ganhou alguns prêmios antes de voltar para NY…

Fiquei um tempo no Brasil me estabelecendo na minha carreira. Fui crescendo em BH e em outros lugares do Brasil. Em 2008 eu fui premiado em Nova York e Paris com um retrato da modelo Bruna Velho. Eu sempre conto essa história como um super divisor de águas mesmo. Eu estava em São Paulo fotografando os finalistas do concurso da Ford Models no Brasil, essa menina me encantou com sua história e eu acabei fazendo um retrato dela. Esse retrato tem pouca coisa de moda, mas quando eu vi aquela foto, foi imediato; foi a primeira vez que eu percebi a força de uma foto ao editá-la. Eu percebi que aquela era uma foto muito forte e eu a enviei para alguns concursos e acabei ganhando todos para os quais eu mandei. [Bruna Velho by Gustavo Marx- 2007 IPA. International Photo Awards e Prix de La Photographie Paris]. E ai, ao mesmo tempo, eu enviei outros trabalhos de moda para os mesmos concursos. Acabei ganhando em NY, o primeiro lugar na categoria beauty e primeiro lugar em moda. Eu fiquei super feliz e orgulhoso com a premiação e especialmente orgulhoso em saber que no mesmo concurso a terceira colocação ficou com o Michael Thompson com uma campanha com a Gisele Bündchen. Eu vim para cá para receber os prêmios e acabei conversando com alguns agentes e fechando com um deles. Foi ai que eu pensei; eu tenho um agente e agora é a hora de tentar mudar para Nova York. Eu tive que convencer minha esposa, e a gente mudou para cá há seis anos e há dois anos tivemos um filho. Agora temos um americaninho na área (risos). E é isso, foi assim que aconteceu minha volta para NY.

Bruna Velho by Gustavo Marx

Bruna Velho por Gustavo Marx

 

Como você definiria seu estilo? Eu sei que você gosta muito de trabalhar com luz natural e faz um trabalho muito bonito com isso.

Quando eu vim para cá em 96, acabei estudando luz de estúdio. Tive um professor em NY – Mario Calafatelo, um italiano – e ele sempre me falou que a única forma que ele sempre curtiu de imitar a luz do sol, em estúdio, era usando uma única fonte de luz. E eu comecei a fazer isso também quando estava em estúdio. Mas o ambiente de estúdio te faz quebrar uma naturalidade que só acontece ao ar livre, com a luz do sol. Então pensei; eu tenho essa luz natural disponível o tempo todo, por que não usá-la? Percebi, então, que meu olhar era muito influenciado pelas coisas que eu admirava na arte. Por exemplo, pinturas que captavam um momento poético de um personagem no seu dia-a-dia. E assim comecei a desenvolver um jeito pessoal de capturar esses momentos com poesia, mas ao mesmo tempo com uma cara comercial, pois precisava sobreviver. Nossa, agora fui longe… Risos!

Eu adoro quando isso acontece em uma entrevista! Não quero que a conversa fique mecânica, parecendo algo engessado. Você coloca o sentimento de uma forma diferente, e ai vão surgindo coisas especiais que, a princípio, nem sabia que acabariam sendo mencionadas. E essa é a melhor parte!

Mas então, eu estou falando disso que é uma coisa que acontecia e que agora talvez esteja mudando um pouco. Estou passando por um momento de gostar de construir mais as imagens. Talvez eu tenha uma definição melhor do que eu quero hoje em dia. E quando você está trabalhando com o espontâneo, você tem que ter um olhar muito apurado para descobrí-lo e conseguir vê-lo. Eu acho que estou no momento de querer construir mais a estória que eu quero contar. De um ano e meio para cá, tenho focado mais nisso. Isso é uma coisa muito importante na hora de fazer uma campanha. Tudo precisa estar pré-definido e eu acho que isso está acontecendo com mais frequência na minha carreira.

Quais foram os trabalhos que mais te marcaram até hoje?

Eu me emociono muito facilmente porque eu me entrego completamente a todos os meus trabalhos. Todo mundo que trabalha comigo sabe disso. Mas acho que tem alguns que foram divisores. Eu fiz 4 campanhas da Y-3 da Adidas e aquilo para mim representou muito. A forma que o mercado Americano te respeita e como ele te trata depois que você já está inserido nele é uma coisa que me deixava muito feliz. Poder fotografar aqui me marcou muito; marcou meu coração e minha realização de fazer trabalhos tão grandes. Fiz trabalhos de publicidade muito grandes aqui nos Estados Unidos que não estão no campo da moda, e que me fizeram aprender muito. Você fica, para ter uma idéia, cinquenta dias fazendo uma pré-produção de um trabalho, tendo uma conference call com cinco a dez pessoas a cada dez dias, durante cinquenta dias. E ai, depois de cinquenta dias de pré-produção, você tem vinte dias seguidos fotografando, onde você dirige de dez a cinquenta atores. O primeiro foi uma campanha farmacêutica para uma das maiores – ou talvez a maior – empresa farmacêutica do planeta e que fica na Alemanha. E gerenciar uma conta como essa, que envolve cinco agências de publicidade, 5 diretores de arte, um diretor de criação, 40 atores – todos no set com você – é uma super conquista. Conseguir fazer isso foi incrível, porque você passa por tantas coisas, conversa com tanta gente sob pressão… Eu nunca tinha feito isso no Brasil, com números tão grandes. Acho que esses foram os grandes divisores para a minha vida profissional aqui em NY.

Adidas Y3 Fall 2011 gustavo marx

Adidas Y3 Fall 2011 por Gustavo Marx

 

Quem são as pessoas, no meio da fotografia, que lhe inspiram?

Para mim, o maior é Guy Bourdin, paixão de todos os tempos. Ele brincava de uma forma lúdica com a fotografia. As vezes vejo coisas que não sabia que eram dele e penso “nossa, isso é tão Guy Bourdin.” Acho que a foto foi feita há dois dias, porque é tão atual, tão forte e colorida, que eu acho que é inspirada nele, mas na realidade é dele mesmo – só que foi feita há 60 anos. Admiro muito, também, Edward Steichen que foi um professor para Avedon. Eu o descobri no ICP, em um projeto que mostrava a trajetória da vida dele, com vídeos mostrando ele dirigindo modelos e construindo fotos e etc. Ele era brilhante, construindo uma imagem dentro de um estúdio com uma câmera que o permitia fazer uma foto a cada 40 minutos. E ai perceber que ele influenciou tanto o Avedon, que eu admiro tanto. Ele fez muitas e muitas grandes capas de revistas americanas. Década de 40, talvez no máximo, 50. É um cara que merece ser pesquisado.

Tem algum fotógrafo novo, algum talento que esteja se desenvolvendo que vale a pena ficar de olho?

Essa pergunta é difícil. Acho que já vi tanto fotógrafo novo que acabou desaparecendo que não me lembro. Dos novos eu admiro Sebastian Kim, Serge Leblon. Eu gosto muito do Guy Aroch. É interessante que tem certas coisas pontuais do meu trabalho e do dele que são parecidas e acho que a admiração vem dai. Essas são algumas pessoas que eu admiro que são um pouco mais novas no mercado.

Acho que não tem como falar de fotografia e não falar sobre as galerias aqui em NY. Quais galerias não podem deixar de ser visitadas por aqueles que são fãs de fotografia?

Gagosian não pode deixar de ser visitada. É um lugar que eu sempre vou porque eu vejo que tem coisas incríveis de famosos e outras que eu nunca vi na minha vida. Sinceramente, eu não vou te falar outras, porque talvez eu não me lembre exatamente. Isso é péssimo, mas você mora aqui há tanto tempo e tem uma vida enlouquecida, que acaba indo nas que você ama para não perder muito tempo. Então eu mencionaria essa como a minha predileta. Tem também os museus que eu gosto de ver fotografia. Eu amo o Whitney e adoro os clássicos, claro; o MET, Guggenheim, Moma… Mas o Whitney está no meu coração como o meu favorito aqui em NY.

Esquerda: Whitney Museum e uma das fachadas da Gagosian Gallery em Chelsea  Direita: Entrada MoMa Museum

 

Como é sua ligação com NY? Tem gente que não lida bem com o ritmo da cidade, outras adoram…

Eu acho que em relação ao profissional, eu gosto muito, eu acho que realmente te cobra de um jeito que lugar nenhum vai cobrar. São Paulo é um pouco parecido, mas de um jeito diferente. Eu acho que eu nasci para essa cobrança e eu gosto disso. Eu acredito na velocidade e no jeito que a cidade funciona. Eu acho que ela pode destruir as pessoas, realmente, se você não considera isso algo que seja para você. Muita gente, com o tempo, acaba sentindo que é hora de sair da cidade. A cidade deixa muito claro para você quando isso é hora, porque ela te trata mal, mesmo! E eu sou muito sortudo, pois a cidade sempre me tratou muito bem. Eu sempre falo que, quando me sinto mal, eu vou pra rua, olho pra cima e para os lados e para as pessoas, e sinto a energia da cidade. O cliché da música – de que a energia da cidade vai te fazer sentir melhor – é totalmente verdadeiro para mim. Tem gente que assimila isso e tem gente que não. Eu sou uma das pessoas que sim e que adora isso. E eu também sei que sou uma das pessoas que ama, mas que vai acabar saindo daqui. Eu amo NY, mas eu tenho 40 anos hoje e eu tenho certeza que daqui 10 anos a minha energia já não vai ser a mesma. Super cliché isso, mas eu tenho certeza que eu quero estar parado numa casa em que eu possa ficar vendo uma imensidão do nada; sem a confusão e a bagunça, essa coisa tumultuada de NY que tanto amo agora.

Você se vê voltando para o Brasil ou mudando para o suburbio?

Eu adoraria poder ir pra outro lugar do mundo, nem Brasil nem Connecticut, por exemplo. Nada contra os dois lugares, mas acho que eu adoraria ir pra outro lugar. Já realizei um grande sonho que era viver aqui, mas eu tenho uma grande prioridade no momento que é poder ter paz com a minha família, principalmente, depois que meu filho nasceu. Tudo mudou. É aquela coisa que todo mundo fala e que eu vejo a cada dia que é pura verdade; eu quero mesmo é paz. A maior busca agora é de ter essência, paz, e de estar com a minha família. Mas eu ainda não sei onde, exatamente, vou encontrar isso.

Você acha que o seu filho influenciou sua percepção e sua sensibilidade em relação ao seu trabalho?

Eu acho que sim, eu acho que ele, sem querer, me fez procurar muito mais a essência das coisas. Não sei por que, mas ando pensando muito nisso. Ele é um ser pequenininho, é só essência o tempo todo. É muito louco isso. Por causa do nascimento de um novo ser, que está ao seu lado o tempo todo, e que é 100% sincero, eu acabei procurando mais verdade nas coisas que faço e quando fotografo. Tento hoje, não perder tempo com coisas e pessoas que não acrescentam e com isso sinto que meu trabalho está mais verdadeiro.

Quais são os seus lugares preferidos em NY?

Eu gosto muito de andar por Chelsea e andar pelo Highline. Eu adoro, e por isso mesmo marquei de encontrarmos aqui [Chelsea Market], porque é um lugar que eu amo. Eu amo o East Village e também adoro atravessar a Brooklyn Bridge sozinho, em dias em que eu quero simplesmente sentir a energia da cidade. Também tenho meus cafés prediletos. Eu amo tomar meu expresso no Chelsea Market. Gimme Coffe, no Soho, eu gosto muito. Tem vários lugares, como o Café Gitane no Soho e uma livraria com um café na Prince – a McNally Jackson – que é ótima para sentar e ler um livro ou pegar uma revista para ler enquanto você toma um café. O Beacon Theater para ver shows é um clássico. Adoro a parte de cima do Central Park, no final, ao Norte. É lógico que, por eu morar perto, se tornou uma região que eu acabei conhecendo mais. Eu acho que as caminhadas, os parques para crianças, as partes internas do parque são lindas. A entrada da Rua 100, por exemplo, tem um parque lindo para criança que depois te leva para um lago maravilhoso. Aquela entrada é maravilhosa e não é todo mundo que conhece. Eu adoro correr no Jackie Onassis Reservoir. Toda vez que levo meu filho lá, ele fica encantadíssimo. Além do Central Park ter seus lagos, aquela calma, as pessoas passando por ali, cada uma em seu mundo – aquilo traz uma paz incrível! Tem também os museus que eu já mencionei.

Favorite Spots NY

   High Line, Central Park Resevoir, Brooklyn Bridge

 

E o seus restaurantes preferidos na cidade?

Restaurantes, tem um sushi place que é meu predileto aqui e que fica no Brooklyn, em Park Slope – o Jpan Sushi. É um lugar excepcional, com preço muito bom e que fica na 5a Avenida em Park Slope. Nessa mesma Avenida, tem um dos meus burgers prediletos que se chama Bonnie’s Grill. Tem também o Island Burger na 9a Avenida, é uma portinha entre 51 e a 52, eu acho.. eu amo! É inacreditável, eles tem mais de 50 tipos de burgers e é incrível, incrível. Tem os clássicos como o Pastis, que é sempre bom e tem uma vibe legal. O Eataly tem um dos melhores sorvetes, mas acho que não tem nenhum que se compare com o L’arte del Gelato aqui no Chelsea Market. Adoro misturar o de pistache com o frutti di bosce. Eu adoro o Grey Dog, que tem em alguns lugares da cidade e esse foi um amor a primeira ida [Risos!]. A primeira vez, eu fui em um perto da Union Square, na University Place. É um lugar que eu super recomendo.

Quais são os seus weekend getaways?

Eu adoraria ter mais getaways… Eu acho que eles estão ficando repetitivos, então eu acho que a resposta seria Catskills. Woodstock também é uma delícia. Existe também uma praia, que quando eu posso, eu prefiro ir fora do fim de semana e fica bem pertinho de Jones Beach. Tem um braço de praia que é meio fechado, pois tem muito estudo e observação de pássaros nesta área. Eu não esqueço a vez que eu fui nesse lugar eu fui barrado na guarita. Eles disseram que infelizmente estavam no momento de observar pássaros e a única forma de entrar seria tendo equipamento de observação e ai eu abri o porta-malas e mostrei duas malas de equipamento de fotografia e eles me liberaram na hora. É um lugar parado, deserto, incrível! Fica há uma hora de NY. Esse lugar é bem legal mesmo! E quando eu posso, gosto de ir pro Dia:Beacon, pegar o Metro North e ficar babando naquela vista indo pra upstate. Me sinto num filme, que é uma coisa que me faz mover o tempo todo em Nova Iorque e amar tanto a cidade.

Catskills, DiaBeacon and Jones Beach

Catskills, entrada Dia:Beacon e Jones Beach

 

Voltando um pouco pro lado profissional, quais trabalhos te marcaram esse ano?

Eu fiz a campanha de verão 2014 da DTA e também fiz muita coisa no Brasil. Mabel Magalhães em BH, 18 páginas para a edição de Setembro da Revista Elle Brasil. Nana KoKaev de BH, que eu adoro fazer. Eu fiz uma continuação de uma capa de um livro que eu fiz há dois anos para a Communication Arts que foi premiada ano passado. É um prêmio importantíssimo para publicidade que tem aqui nos Estados Unidos [Commarts – 2012 – Book Cover Category], e eu acabei de fazer a terceira capa. Eu ganhei esse prêmio com o primeiro livro. E acabei de fotografar o terceiro livro. Vai virar uma serie de TV Americana. Já fizeram o piloto há um ano e meio e o livro “The Selection”, da Kiera Cass, está na lista do mais vendidos no New York Times. É um livro para jovens e ele voltou com força total agora que um grande estúdio americano vai realmente transformá-lo em uma serie de TV. Fiz também alguns editoriais para a Dossier Journal que eu amo de paixão. Acabei de publicar um, de moda, que foi lindo e apaixonante de fazer, feito em um haras em NJ. O styling do trabalho foi feito por uma menina incrível, a Emily Jenkins.

Gustavo Marx magazines

Foto Editorial para Dossier Journal e Foto publicada na edição de Setembro 13′ da Revista Elle Brasil

The Selection

Capa do primeiro [ e premiado] e do terceiro livro da série “The Selection” da Kiera Cass

 

Obviamente, como fotógrafo você viaja muito. Teve algum lugar que te surpreendeu durante suas viagens?

Anguilla, onde fui fazer um trabalho para a Conde Nast para a Brides Magazine. Mas isso é uma coisa que mudou muito com a crise Americana. Os orçamentos reduziram muito e as coisas têm sido feitas em locais mais próximos e o glamour todo das viagens tem sido bem reduzido mesmo. Não que ele não exista, mas tem bem menos. Mas enfim, eu fui pra Anguilla, uma ilha no Caribe, com uma beleza natural que eu acho que eu nunca vi em lugar algum. Além da água maravilhosa, nós ficamos num lugar incrível, o Viceroy Anguilla e ficamos nas villas, que são lindas. A beleza do lugar é realmente incrível.

Viceroy-Anguilla

Praias em Anguilla no Caribe

 

Tem algum lugar que você tem vontade de conhecer e explorar como fotógrafo?

O Japão. Não sei se eu quero fotografar, mas acho que sim. Tenho uma atração pelo Japão desde os cinco anos de idade, não sei por que, mas acho que esse é um destino que não pode deixar de passar dos próximos dois anos.

O que você recomenda para aqueles que desejam ser fotógrafos profissionais?

Se for para moda, acho que tem que, antes de qualquer coisa, adquirir um senso crítico melhor do que eu vejo hoje em dia. Eu digo que eu demorei quase 10 anos para falar que essa era a minha profissão; antes eu dizia que eu estudava fotografia e eu falava que eu era assistente. Eu sei que as coisas mudaram muito e que as coisas estão mais rápidas. Antigamente todo o processo fotográfico demorava muito mais, como por exemplo, para revelar uma fotografia . Isso por si só demonstrava como o processo era mais longo e para você se julgar qualquer coisa, era bem mais demorado. Mesmo assim, eu sinto uma falta de uma autocrítica e uma vontade de querer mais em fotógrafos novatos. Então acho que isso seria a primeira coisa; o desenvolvimento de um olhar e de uma critica pessoal constante. Procure coisas boas não apenas na internet, mas em livros e revistas; busque nomes importantes da fotografia na área que você quiser seguir. A segunda coisa: se você vai fazer fotografia de moda, precisa mesmo ser assistente de algum fotógrafo. Porque você vê, principalmente, como é o business em volta do seu trabalho. Eu assisti muito pouco na minha carreira, então eu acho que eu demorei muito mais por causa disso.

Como você vê essas mudanças tecnológicas tanto em relação a equipamentos como o uso de aplicativos influenciando a fotografia?

Adoro o que a tecnologia me proporciona todos os dias e adoro a democratização do meio. Conheço fotógrafos que possuem Instagram apenas profissional, outros com fotos pessoais, e não consigo ver nada de errado nisso. É mais uma forma; tem galeria, tem impressão, tem computador… e também tem Instagram, não vejo problema.

 

Gustavo Marx by Gustavo Romanelli

Para saber mais sobre o Gustavo: gusmarx.com

 Foto do Gustavo em preto e branco: Mark Tucker.

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